
A maior tristeza que Dona Hortência levaria deste mundo, seria a de morrer sem acalentar um netinho. Mãe de uma filha única, tratou, logo, de casá-la, quando a menina não tinha, ainda, dezesseis anos. E como sucede sempre a toda mãe que se apressa, casou-a mal, de modo a ter como genro o Eusébio Duarte, "almofadinha" sem reputação, sem dinheiro e sem saúde, para quem o casamento foi mais um encosto do que, mesmo, um caso de coração.
Casada a menina, a pobre senhora declarou, após o jantar, na presença da filha e de alguns convidados:
— Eu tenho aí no quintal uma galinha carijó, que é, mesmo, uma beleza; mas, essa, eu só a mato no dia em que tiver certeza de que meu primeiro neta já está em caminho para este mundo!
A noite de núpcias da filha foi para Dona Hortência o que é, sempre, para as mães amorosas: um tormento. Coração alarmado, ouvido à escuta, olhos escancarados na treva, não dormiu um instante. Manhãzinha, levantou-se, e, antes, mesmo, de preparar-se para descer, foi bater à porta do quarto dos noivos.
— Mariazinha? — chamou, — Mariazinha?
— Que é, mamãe? — respondeu, de dentro, estranhando, a voz da filha.
E a velha, muito terna, muito branda, muito doce:
— Posso matar a galinha?
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Conto publicado em Grãos de Mostarda.
*Humberto de Campos Veras (Miritiba (MA), 25 de outubro de 1886 — Rio de Janeiro, 5 de dezembro de 1934) foi um jornalista, político e escritor brasileiro.
Agora momento relax não só às sextas mas também às terças!!! Legal... mas bem que em vez de textos espíritas vc podia colocar textos católicos!!!
ResponderExcluirP.S. Viu que eu aprendi a colocar os acentos??? Sou chique agora!!!
Beijos,
Palpiteira.